Bonito, Segunda, 1 de Dezembro de 2008
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KADIWÉUS - ASPECTOS CONTEMPORÂNEOS

Durante a primeira metade deste século, os Kadiwéu viram estabelecerem-se em sua área os postos indígenas do SPI e, na década de 70, os da FUNAI. Os Postos Indígenas dentro da Terra Indígena Kadiwéu atualmente são chefiados por índios.

Há escolas indígenas na área. Na aldeia Bodoquena, a escola oferece as quatro primeiras séries do primeiro grau. Todos os professores são índios, Kadiwéu e Terêna. As escolas das aldeias Bodoquena e Campina foram assessoradas durante algum tempo por um programa de educação indígena desenvolvido pelo Centro de Trabalho Indigenista (CTI). Alguns professores conseguiram se vincular a secretarias municipais de educação, recebendo por esta via um salário. Outros são voluntários escolhidos pelos moradores da aldeia.

Desde o ano de 1971, a Missão Evangélica Pró-Redenção aos Índios, de nacionalidade alemã, atua na área. Inicialmente os missionários se estabeleceram dentro da aldeia Bodoquena. Hoje, o acampamento da missão localiza-se nas vizinhanças da mesma aldeia, fora da Terra Indígena. Há um casa de cultos, que se realizam duas vezes por semana, em local central naquela aldeia. Estes missionários prestam serviços de saúde aos Kadiwéu, possuem uma boa enfermaria com leitos para convalescentes e uma farmácia.

Atualmente, uma parte significativa da Terra Indígena, em litígio, aguarda decisão judicial no STF, estando em questão, no norte da mesma, quase 150 mil de sua extensão total de 538.536 hectares.

No final da década de 80, as taxas dos arrendamentos tradicionalmente pagas pelos pecuaristas à FUNAI passaram a ser geridas pela ACIRK (Associação das Comunidades Indígenas da Reserva Kadiwéu), e os índios começaram a percebê-las em sua totalidade. Ela se tornou, então, a maior fonte de subsistência da maioria dos grupos familiares Kadiwéu. O pagamento pelo aluguel dos pastos ocorre de seis em seis meses. Como os recursos são escassos para todo este período, na entressafra os Kadiwéu sempre supriram suas necessidades com alguma venda das belas peças de cerâmica que produzem as mulheres, para o que não contam, infelizmente, com um mercado muito seguro. Donos no passado de um expressivo rebanho de cavalos, hoje os Kadiwéu os possuem em número reduzido. Algumas famílias contam algum gado bovino próprio, também em pouca quantidade. Os que os possuem, têm no tratamento do rebanho a sua principal ocupação. São os descendentes de Terêna aqueles que nas aldeias se ocupam da agricultura.

Nos últimos anos, os Kadiwéu vêm se empenhando tenazmente na reversão da situação de dependência com relação à renda dos arrendamentos e principalmente no resgate do uso de seu território por si próprios. É difícil calcular a soma total do gado nas áreas arrendadas (que, como já foi dito acima, correspondiam quase que a totalidade do território indígena), pois o número de cabeças sempre excedeu ao combinado nos contratos. O volume do gado de arrendatários chegou a ser exaustivo em relação aos recursos naturais, causando, evidentemente, modificações ambientais profundas. A recompensa que os índios auferiam era ínfima diante da gama de problemas gerados por esta situação.

Em 1993 deu-se início ao processo de despejo dos fazendeiros arrendatários. Nestes cinco anos que decorreram desde então, setenta por cento destes fazendeiros foram despejados (dados do DEPIMA, FUNAI). Trata-se de um momento importante na história Kadiwéu, que poderá redundar na consolidação de sua autonomia, sobretudo econômica, com formas auto-geridas e suficientes. Diante desta possibilidade, os Kadiwéu têm, contudo, que enfrentar inúmeras dificuldades. A necessidade da garantia da sua subsistência, hoje ainda mais difícil na ausência da renda, por um lado, e a forte pressão que sofrem de ex-arrendatários e de arrendatários recalcitrantes, por outro, mostram a gravidade do quadro. Para a consolidação de uma nova situação que venha de fato a atender os seus mais legítimos interesses, os Kadiwéu precisam contar com uma estrutura que a viabilize e concretize. Os Kadiwéu anseiam tornarem-se pequenos criadores mediante um projeto auto-sustentável. Para tanto, necessitam de gado e de apoio técnico condizente. Necessitam, enfim, de efetivo apoio, sobretudo governamental.

 

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