Bonito, Domingo, 27 de Julho de 2008
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Uma questão de referência

Caros amigos, quanto tempo distante deste espaço tão especial que é o Portal Bonito. Minha distância deste espaço virtual se deu por boas causas de trabalho, mas aproveito a virada do ano para retornar, e retornar com a corda toda. Passei meu Reveillon na cidade fluminense de Paraty, cidade que previamente me foi muito recomendada por oferecer as mais diversas opções para uma boa diversão. Oferecendo além de seu já conhecido e propagado lado histórico, passeios de scuna, praias paradisíacas, trilhas com cachoeiras e vistas montanhosas tremendas.

Como bom turismólogo e fotógrafo profissional, entrei de cabeça mas liguei bem minhas antenas para analisar o quão de espetaculoso tinha este destino. De cara vi uma cidade muito movimentada, com um transito um pouco caótico, mas até ai tudo bem. A partir do primeiro passeio é que pude sentir melhor aonde estava. Realmente me levaram, a um valor a princípio justo, a um passeio de trilhas e 4 cachoeiras em um jipe adaptado, com parada em uma fazenda “histórica” e almoço (não incluído). Parecia que estava indo a um verdadeiro safari, o suspense gerado foi bem feito, mas ao chegarmos ao destino, nos deparamos a cachoeiras quase que dentro da cidade, com uma invasão de turistas de todas as classificações, inclusive os temidos farofeiros. Bem, uma decepção, sei que existiam outros passeios com cachoeiras oferecidos, mas depois do primeiro perdi a curiosidade. Nos outros dias procurei conhecer praias próximas como São Gonçalo e Trindade, as duas muito bem faladas. A primeira nos deparamos a uma total falta de infra estrutura, lotada de gente poluidora de praias de primeira grandeza. A segunda, Trindade, era pior, estava cheia de campings sujos, um caos, totalmente desorganizada, uma decepção. Desculpem-me os fluminenses que lerem este artigo. Mas é inadimisssível um Estado rico como o Rio de Janeiro oferecer destinos turísticos sem a mínima proteção e presença do Estado. Sem desculpas. Tive ainda surpresas desagradáveis com alguns restaurantes onde a vigilância sanitária passou longe a séculos. Bem, estes foram, em curtas linhas, os pontos negativos, mas presenciei alguns muito positivos, como a cultura que fomenta daquelas velhas ruelas da cidade antiga, e que sediam anualmente um internacionalmente famoso festival de literatura (a Festa Literária Internacional de Paraty), ou a cultura viva que presenciei através de artistas de rua, galerias de arte e fotografia, assim como alguns restaurantes de muito bom gosto e profissionalismo, como o Thai Brasil.

Quanto aos passeios, os de Scuna são um ponto forte, pois estas passam por praias onde o homem e seu apetite voraz de destruição ainda não passou. Nestes pontos pode-se mergulhar em águas transparentes cheias de peixes, ou caminhar por praias paradisíacas de areia branca. Torço para que essa riqueza não se acabe também. No último dia, depois de fazer uma observação minuciosa de Paraty, conversei com um agente e proprietário de uma agência de turismo e expus todos estes pontos. Obtive como resposta que ele e um grupo minoritário de guias e profissionais que lidam como o turismo local lutam contra este status quo, mas que o imobilismo e o mercado corrompido é mais forte e colocam seus planos por agua abaixo. Trouxe a ele a experiência de Bonito, mostrei fotografias de minha galeria sobre os passeios, o portal bonito e outras fontes e expliquei como a estruturação desta cidade se deu, não sem um sacrifício enorme. Acho que mais uma lamparina foi acesa…

Depois de mais esta viagem tenho novamente de me orgulhar pela experiência bem sucedida de Bonito, que dentro de um Estado relativamente pobre, hoje é mirada por todo o Brasil como um exemplo na administração, desenvolvimento e manejo de recursos turísticos. Não temos ainda um lado cultural forte que possa se comparar com destinos como Paraty, mas compensamos bem nos outros quesitos.

Atualmente competimos frente a frente com destinos muito menos preparados e estruturados por todo o Brasil, e pela questão da distância, divulgação e infraestrutura de transporte perdemos muitas vezes; temos de convir que passar um fim de semana comum em Paraty, no Guarujá ou em Campos do Jordão, é bem mais fácil que em Bonito. Mas o trabalho deve continuar, para que essas barreiras diminuam e que a boa frequência que temos alcançado continue ascendente. Parabéns Bonito e um bom ano turístico a todos.

Arlindo Namour Filho

 

Arlindo Namour Filho, 28 anos, residente em Campo Grande - MS. Formação superior em Direito e Turismo, fotógrafo profissional e repórter e articulista de turismo desde 1999, escreveu nos jornais O Palanque e A Crítica, e escreve atualmente na revista O Palanque VIP e no portal Campo Grande News.
namourfilho@portalbonito.com.br

 

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